Olá caros jovens de Mocidade, vamos refletir sobre a pergunta acima juntos? Como será que a Doutrina Espírita nos ilumina nesta questão? Vamos viajar nessa! Lembrando que a idéia aqui não é fechar a questão com um ponto final. Quero instigá-los a pensar no assunto e tirar suas próprias conclusões.
E para começar precisamos entender o que é exatamente essa tal pesquisa com células-tronco. A célula-tronco é capaz de se dividir e originar outra célula semelhante à sua progenitora. Existem duas possibilidades de extração: elas podem ser adultas ou embrionárias. As adultas são encontradas em tecidos como medula óssea, sangue, fígado, cordão umbilical, placenta, entre outros.
Já as embrionárias são encontradas no embrião humano (!). Uma célula-tronco adulta retirada do fígado de uma pessoa terá a capacidade de se multiplicar em células do fígado desse indivíduo, assim como as células adultas retiradas de outros tecidos. Já a célula embrionária é como um coringa, é capaz de se transformar em qualquer outro tecido do corpo humano, como ossos, nervos, músculos e sangue.
A aplicação na Medicina seria fantástica e útil no tratamento de diversas doenças sérias e graves, principalmente aquelas que afetam as células nervosas. Lendo assim, tudo parece simples. A cura para as doenças está resolvida.
No dia 29 de maio último os ministros do STF (Superior Tribunal Federal) aprovaram as pesquisas com células-tronco embrionárias. Discussões polêmicas foram travadas nas mais altas esferas do governo e também na sociedade civil. Os católicos se manifestam contra e argumentam que utilizar embriões para a extração de células-tronco é o equivalente a um assassinato, já que o processo destruiria o embrião.
Todos que vem às estas verdes páginas do DalheMongo devem saber que o Espiritismo é alicerçado em três pilares: Ciência, Filosofia e Religião. Estamos falando aqui da mais pura Ciência, e o que pensar disso tudo? Na questão da Ciência, encontramos em “A Gênese”, capítulo I, item 55 a seguinte afirmação: “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.” Na questão da Filosofia, em “O Livro dos Espíritos”, capítulo VIII, pergunta 778, encontramos o seguinte: “… O homem deve progredir sem cessar… Se ele progride é que Deus assim o quer…”.
O caso da utilização das células-tronco da própria pessoa (auto-emprego), cuja rejeição é zero, já está bastante difundido e aceito. E o Espiritismo é totalmente a favor. Seriam células-tronco da medula óssea ou do cordão umbilical. Há uma diferença grande entre a clonagem reprodutiva, realizada com o objetivo de gerar uma criança, e a clonagem terapêutica, empregada na produção de células-tronco. Para o Espiritismo, a preocupação reside no produto final do processo, ou seja, o embrião, que poderá gerar um novo ser.
Já a questão das células-tronco embrionárias é polêmica, não há consenso nem mesmo entre os espíritas. A Associação Médico-Espírita do Brasil é contra. Vamos refletir um pouquinho a respeito. Após a retirada das células-tronco do embrião, ele será descartado, jogado fora, sacrificado, ali poderia surgir uma vida, talvez ali, para aquele embrião, já tivesse um Espírito destinado àquela vida, àquele corpo. Este sacrifício do embrião, que foi criado em laboratório especificamente para este fim, caracteriza um assassinato, um aborto?!
Vamos, novamente, recorrer ao “O Livro dos Espíritos”.
344- Em que momento a alma se une ao corpo?
- A União começa na concepção, mas ela não se completa senão no momento do nascimento. Desde o momento da concepção, o Espírito designado para habitar tal corpo a ele se liga por um laço fluídico que vai se apertando, cada vez mais, até que a criança nasça; o grito que se escapa, então, da criança, anuncia que ela se conta entre os vivos e servidores de Deus.
346 – Que acontece para o Espírito se o corpo que escolheu morrer antes de nascer?
- Ele escolhe outro.
353 – A união do Espírito e do corpo não estando completa e definitivamente consumada senão depois do nascimento pode-se considerar o feto como tendo uma alma?
– O Espírito que o deve animar existe, de alguma forma, fora dele. Ele não tem propriamente falando, uma alma, pois a encarnação está somente em vias de se operar; mas está ligado à alma que o deve possuir.
356- Existem natimortos que não foram destinados a encarnação de um Espírito?
- Sim, há os que jamais tiveram um Espírito designado para os seus corpos: nada deviam realizar por eles. É, então, somente pelos pais que essas crianças vieram.
Em “A Gênese”, Allan Kardec explora mais o tema, introduzindo o conceito de que o perispírito se liga ao óvulo fecundado desde a concepção e vai se ligando molécula a molécula ao corpo de acordo com o desenvolvimento do feto, culminando no nascimento quando a ligação é completa e irreversível.
Então, pensemos de outro ângulo, no caso da clonagem do embrião em laboratório, tudo isso já estaria premeditado, com a intenção de curar e salvar outras vidas. Deus, inteligência suprema e em sua infinita bondade, não enviaria um espírito para sofrer um aborto/assassinato (a não ser que fosse para resgatar um débito), para reencarnar em um embrião que já estaria destinado a Ciência para este fim. Sendo assim, não estaríamos “matando” um ser, nem traumatizando o Espírito. Será mesmo?!
A Dra. Marlene Nobre, presidente da Associação Médico-Espírita do Brasil diz que ocorre atualmente uma “coisificação” dos embriões e dá exemplos de pessoas que nasceram de embriões congelados há oito, onze ou treze anos. Quem entende profundamente os desígnios de Deus?
Veja o vídeo:
A conclusão aqui é que temos muito a aprender e que o Espiritismo e os espíritas devem acompanhar de perto a evolução da Ciência. A realidade é que sabemos pouco do processo reencarnatório. Se o Espiritismo não pode contribuir cientificamente, pelo menos podemos tentar contribuir com nossa análise ético-moral, provendo nossa perspectiva sobre os assuntos.
Agora é a vez de vocês. Prontos para o debate? Pesquisem, reflitam e leiam bastante. Quero ver quem vai jogar mais “lenha nessa fogueira”!
Destaco alguns links de textos escritos por médicos espíritas:
http://www.amebrasil.org.br/html/outras_tronco.htm
http://www.amebrasil.org.br/html/outras_clone.htm
http://www.amesaopaulo.org.br/novo/index.php?option=com_content&task=view&id=50&Itemid=53
Fiquem em paz!
Bárbara – Regional ABC
Olívia Maria disse,
27 Junho, 2008 @ 8:44 am
É isso ai, polêmico e interessante! O jeito é ler bastante, e se infromar como a Bárbara falou, e enfim assumirmos uma posição, uma opinião. Principalmente nós jovens, que tantas informações nos chegam ao mesmo tempo, e muitas vezes distorcidas, porque sabem que no futuro somos nós quem tomaremos as decisões.
Muito legal!
Beijão pessoal!
Israel Beagah disse,
28 Junho, 2008 @ 2:08 pm
EXCELENTE!
Dá pano pra manga isso aí, já diria minha vózinha…
Enfim, admito que fiquei com preguica de ver o video e ler os textos dos links no final, mas assim q voltar aki no dalhe de novo termino de ver!
Mas isso era exatamenteuma das coisas que eu tinha curiosidade de saber e nunca lembrava de perguntar quando tinha oportunidade!
fuui
yuridc disse,
28 Junho, 2008 @ 10:43 pm
Como bem disse a nossa amiga, é um assunto aberto, porque ainda não temos algumas das respostas, muitas delas ainda são subjetivas em nossa mente, mas acho importantíssimo que agente construa o conhecimento através do conhecimento, estudando sempre e em várias visões, para que agente forma a nossa prórpia. Valeu pela contribuição do texto.
Marcelo Depóllo disse,
28 Dezembro, 2008 @ 4:53 pm
olá pessoal. Tenho buscado de muitas formas achar um site espírita que fale sobre esse assunto sem medo de erros, e por sorte, encontrei vocês.
Esse assunto mto me interessa, já q pretendo trabalhar com genética. O fato é que eu realmente custo a crer que estejamos matando seres, ou pelo menos, esse genocício que todos dizem.
Sou espírita há desde os 5 anos, e me deparei com uma enorme dúvida: se considerarmos o uso das CTE (células-tronco embrionárias) como assassinato, obrigatoriamente deveríamos considerar a inseminação artificial tbm. Explico: com óvócitos maduros, ocorre a junção em laboratório com o espermatozoide e consequente junção dos materiais genéticos (cariogamia). Logo dpois, os zigotos que se mostram aptos a sobrevivencia, são postos no utero materno com o objetivo de nidarem e desenvolverem. Sim, são postos vários zigotos, de 4 a 6. Desses, alguns nao sobrevivem e são degenerados. Se usarmos a mesma concepção, estaremos entao jogando os zigotos “aos leões”, e “ao vencedor, às batatas!”… cruel não é?
Não sei em que conclusão chegar sobre isso, visto que falta-nos mta informação espiritual pra classificarmos o processo. O fato é que as CTE teriam (e espero q tenham) um objetivo esplêndido na humanidade, e talvez, seja um ensaio do nosso futuro processo de reprodução, visto que é dito nos livros espíritas que a reprodução nao se dará com contato sexual.
Bom, talvez eu tenha criado mais duvidas, mas eu REALMENTE espero alguma resposta de alguem. Obrigado àqueles que me leram até aqui, sei que foi chato, mas é importante pra mim.
Abraços! xD